Começou na manhã desta quinta-feira (17) o julgamento dos três acusados pela morte da estudante Sarah Domingues, 28 anos, e do comerciante Valdir dos Santos Pereira, 53, na Ilha das Flores, em Porto Alegre. O crime aconteceu em 2024.
Ao longo do julgamento, 14 pessoas devem falar, das quais nove são testemunhas de defesa e cinco de acusação. A previsão é de que o júri termine na sexta-feira (18).
Os réus são:
* Leonardo da Silva Mallet
* Irineo Lopes Kaiper
* Jessé Gonçalves Kaiper
Eles respondem por duplo homicídio qualificado, por motivo torpe e recurso que dificultou a defesa das vítimas, além de emprego de arma de fogo. Todos estão presos desde fevereiro de 2024.
Inicialmente, quatro pessoas foram denunciadas, mas a Justiça entendeu que não havia provas suficientes para levar uma delas, irmã do suposto mandante, a julgamento pelo Tribunal do Júri.
— Espero que a gente tenha justiça, que a comunidade possa compreender a importância da condenação e que a gente condene para que a memória dessas vítimas, a luta dessas vítimas, não tenha sido em vão — afirmou a promotora Lúcia Helena Callegari, responsável pela acusação junto de Octávio Cordeiro Noronha.
Em frente ao Foro Central, amigos e familiares de Sarah fizeram protesto pedindo por justiça.
O crime
O crime aconteceu por volta das 19h30min do dia 23 de janeiro de 2024, na Rua do Pescador.
Sarah Silva Domingues era estudante do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Ela realizava uma pesquisa para o trabalho de conclusão de curso (TCC) sobre as enchentes nas ilhas quando foi atingida por tiros.
O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado, mas ela não resistiu aos ferimentos e morreu no local.
O comerciante Valdir dos Santos Pereira também foi morto. A investigação da polícia apontou que o comerciante seria o alvo dos disparos. Ele teria uma desavença com membros de uma facção criminosa, que ordenaram a execução. Segundo o Ministério Público, autor da denúncia, ele não concordava com a atuação da organização na região.
Quem era Sarah
Natural da cidade de Cotia, no interior de São Paulo, Sarah viveu a maior parte da vida com a mãe e os três irmãos em Campo Limpo Paulista. Ainda criança, aos sete anos, perdeu o pai.
Quando decidiu estudar Arquitetura e Urbanismo, fez o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e tentou uma vaga na Universidade de São Paulo (USP). Com a resposta negativa, decidiu tentar uma oportunidade na UFRGS, onde foi aprovada.
Mesmo sem conhecer o Rio Grande do Sul, em 2015 Sarah se mudou para Porto Alegre e iniciou os estudos. Ela estava nos semestres finais do curso quando foi assassinada. A mãe conta que ajudou a filha no que pôde, mas diz que Sarah era determinada e nunca desistia dos seus objetivos.
Na graduação, ela passou a integrar o movimento estudantil e chegou a ser diretora do Diretório Central Estudantil (DCE) da UFRGS. Ela e o namorado planejavam se casar. Após sua morte, o Diretório Acadêmico da Faculdade de Arquitetura (Dafa) foi renomeado para “DAFA Sarah Domingues – UFRGS”.
Original Source: GZH







